Candidatos prometem o impossível para conquistar votos
Em busca de votos alguns candidatos a vereador do Rio de Janeiro tem feito promessas que excedem o papel que ocuparão na Câmara Municipal. No material de campanha há promessas de criação de escolas, creches, postos de saúde, entre outras que são atribuição do poder Executivo.
O candidato Cleilton Ferreira (PMDB) se anuncia como o "homem do IPTU", promete que o imposto de um bairro seja todo revertido para aquela região. Esta proposta vai ao encontro da legislação em vigor. Ele se defende e diz "tudo pode ser mudado". Em seguida confessa que ainda não pensou nas conseqüências de sua idéia sobre funcionamento das escolas e postos de saúdes em bairros carentes.
Já o comunista Ricardo Cappelli diz que o vereador tem que exercer seu poder de pressão. Ele age como se ainda fosse o Presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). O candidato garante que se for eleito, vai destinar recursos financeiros para o funcionamento de programa de crédito educativo para universitários.
"Concordo que um candidato não pode prometer maluquices. É que o vereador precisa discutir a cidade como um todo", alega Cappelli.
Apesar do Metrô ser uma atribuição do governo estadual, o candidato Cacau de Brito (PDT) propõe que seja feita "ampliação do transporte metroviário em toda a cidade". E ainda anuncia indenizações para vítimas da violência da cidade.
"As ações na Justiça levam de 8 a 12 anos, e o estado demora até 20 anos para pagar os precatórios. O Ministério da Justiça tem interesse em participar de um fundo. Há muitas verbas perdidas", tenta esclarecer o pedetista.
Para o professor Marcus Figueiredo promessas como essas não garantem resultado em campanhas.
"O eleitor não acredita em propostas faraônicas. Ele avalia a atuação do candidato na sua área ou questões ideológicas", afirma Marcus Fiqueiredo.
Já o professor de Ciência Política da PUC Ricardo Ismael acredita que a justiça eleitoral deve preparar uma campanha de esclarecimento sobre a função do vereador. Ele avalia que apontar as atribuições principais do cargos evitaria que os eleitores fossem iludidos com promessas absurdas.
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