Ditado popular é como boato: quem ouve, acrescenta ou tira alguma coisa, e o sentido original vai para o espaço. Olhem que interessantes esses antigos ditados e confiram a sua origem:
O Versinho popular diz:
“Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão…”
O povo não entendeu direito. E ficou como todo mundo conhece:
“Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão…”
(O dito original tem mais sentido mesmo)
“Corro de burro quando foge!” (Burro, quando foge, vira uma fera!)
Como ficou, depois de passar pelo “crivo popular”?
“Cor de burro quando foge!”
(E se aplica para alguma cor meio indefinida, porque quem sabe qual é a cor do burro quando foge ???) Originalmente (no tempo em que Roma era o Centro do mundo) dizia-se:
“Quem tem boca vaia Roma!”
(De vaiar, mesmo, apupar) O povão entendeu assim:
“Quem tem boca vai a Roma.”
(Até que faz sentido, já que perguntando a gente chega lá. Mas nada tem a ver com o original)
E esse, então?
“Quem não tem cão, caça como gato.”
(Isto é, faz como o gato, caça sozinho, sorrateiramente)
O povo sacou diferente:
“Quem não tem cão, caça com gato.”
(Como se fosse possível sair à caça com um gato…!!)